COLUNAS

Catarse da Alma

POSTADO EM 07 OUT 2017 por: Cleir Edson Pereira de Deus Catarse da Alma

 

 

 

 

Catarse da Alma
 
Ensaio em prosa e verso
 
Passagens, primeiro momento
 
Há dias em minha vida em que eu necessito de “silêncio”. Então, caso eu não me deixe ouvir nesses dias... É porque eu silencio ouvindo – silenciosamente quieto, sem nenhum som – minhas próprias melodias e posso, então, delas criar minhas poesias...
 
Há dias em que eu preciso de “leitura”, portanto, se eu não parar de  ler nesse meio tempo... trata-se simplesmente de que meus olhos se encontram mergulhados “cegamente” nos livros em busca do segredo, do imaginário e da ternura mais funda das palavras trazidas e levadas pelo vento...
 
Há dias em meu movimento nos quais eu anseio por “parar”. Acaso eu não caminhe, nem ande nem me mexa daqui para ali, considere como uma parada ao encontro de mim... e para que isso aconteça, eu não posso sair do lugar em que estou – aqui – e voltar a me mexer, assim...
 
Há dias em meus relacionamentos quando eu quero parar de “conversar” e de “falar”, nem sequer ouvir minha voz desejo... daí por que me calo. Portanto, se minha voz emudecer, imagine que estou mudo, fechado, como uma casca de noz... e o que eu mais gostaria de fazer é de ficar a sós...
 
 
 
Passagens, segundo momento
 
 
 
Ademais, há segundos dias em minha história em que eu quero “viajar”, então se eu sumir é porque parti incógnito – sem malas, dinheiro, nem roupa levarei, pois nu me trajarei – para lugares distantes, desconhecidos, não encontrados em nenhum mapa; lugares que não têm começo nem fim... não estão no norte nem no sul, muito menos a leste ou a oeste, também não se acham no centro, em cima ou embaixo, mas não se preocupe, não haverá distâncias entre você e mim... porque o lugar em que estarei se encontra fácil, fácil, assim...
 
Há mais dias ainda na minha trajetória nos quais eu me sinto “perdido”, portanto, se nossos caminhos não se cruzarem, significa que eu saí em busca do meu eu... pois me  sentia sem sentido... e apesar de tanta procura, ainda não me achei porque me perdi para encontrar o que também é meu...
 
Há um dia solitário em meu coração no qual ele sente tanta “solidão”, que sai  - repleto de emoção - atrás de um outro (coração) para lhe fazer e ser companhia... e caso você não ouça o som de seus batimentos... é porque ele bateu em porta que não tinha campainha... que não pôde ouvir seus sentimentos...
 
Há longos dias de românticos sonhos em meu olhar em que ele “procura” pela rosa mais linda para lhe ofertar, logo se você buscar meus olhos e não os vir, isso quer dizer que um espinho da roseira me cegou no momento do encontro – e aquela coisa mais bela então não vi... sendo assim não pude apanhá-la para lhe dar... mas eu senti... em meus cegos devaneios, quão formosa lá ela se encontrava na janela, pronta para ser sua e em seu vaso repousar.
 
Há dias longínquos em minhas horas em que eu “canto” para os males espantar e não me espanto quando o canto que eu canto nada mais é que um sentido pranto... por isso se você não ouvir agora minha cantoria... não se espante: fui em busca do encanto de um canto cheio de alegria... para numa serenata repleta de euforia, entoar...
 
Ah... há ainda aqueles dias em minha vida em que ando “rápido” demais para não pensar, então se você enxergar apenas o meu vulto pelas costas, não tenha medo, pode parar de se preocupar: fui só ali devagar... dar umas voltas, não parei um minuto de caminhar... por isso já, já, vou voltar...
 
E há, sobretudo, longos dias em mim em que não sei quem eu sou! Então me pergunto mil vezes mais mil – Quem sou Eu?! E na falta da resposta, de qualquer resposta que tal pergunta carece, ponho-me a sentir e me deixo ficar sem nada ser à espera desse Eu...
 
Depois, muito tempo depois desses momentos de infinitos  conflitos – após o silêncio, a cegueira, o não movimento, a mudez, a busca, a solidão, o vazio e o não ser, sobrevém o mergulho em minha essência – então consigo ouvir, ver, caminhar, cantar, falar, encontrar... Ser Eu! Daí surgem os sons, as palavras, os versos, nasce o poema, surge o – Eu Sou Cleir! Fruto daqueles instantes em catarse vividos com Ela – Minha Alma – e como isso me acalma, posso pegar, não como fazia antes – da pena – mas hoje, do meu note book e nele digitar aquilo que passei a sentir...!
 
Assim da poesia posso me valer para conversar com o Universo e com a Divindade e para falar de Amor – do Amor – e a Eles agradecer amorosamente emocionado por tudo em mim, em minha vida, em minha passagem... e lhes oferecer, carinhosamente – de Gratidão – uma Flor – a Rosa que finalmente agora posso ver!
 
Há dias de movimento em minha jornada em que – em prosa – eu me ponho a poetar... Há dias em minha vida em que eu quero ser só poeta...
 
Eusoucleir
 
 

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