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A Música que Encanta e Emociona!

POSTADO EM 30 MAI 2017 por: José Paulo da Silva Villalba A Música que Encanta e Emociona!
 
 
 
 
            
 
 
 
 
Ofereço esses escritos, a todos os formandos ginasianos bela-vistenses, que em 1969, concluíram seu curso ginasial. Ofereço também aos nossos Mestres. E, em Especial nosso eterno Diretor do Ginásio Estadual Bela Vista Dr. Sydney Nunes Leite.
Sou Musical. Gosto e admiro uma boa música. Creio que isso vem desde a mais tenra infância. Das serenatas que faziam para minhas irmãs, em noites de lua cheia e céu estrelado.
Ouvia boleros, guarânias, polcas paraguaias e músicas da época. Isso, início dos anos 60.
E nas manhãs “calorentas” bela-vistenses, especialmente em férias escolares, ouvia no rádio de casa, os Programas de Rádio, de Hélio Ribeiro na Rádio Bandeirantes e de Barros de Alencar na Rádio Tupi de São Paulo.
Creio que havia uma competição sadia, entre esses dois radialistas, já que os programas eram parecidos pelo aspecto cultural e romântico, que apresentavam. Era praticamente no mesmo horário, às 9 horas. Pelo menos na fronteiriça Bela Vista, na época MT, hoje MS, com Bella Vista Norte, Paraguai, era nesse horário.
Também nas manhãs, no Alto-Falante do seu Marciano, que fazia propaganda do comércio em geral, tocava musicas da época em particular, as românticas, e ou “bregas” que inundavam musicalmente a cidade.
E a noite, na Rádio Guaíba de Porto Alegre, podia-se ouvir belas músicas orquestradas. Nesses anos de Infância, adolescência, essas miscelâneas musicais, influenciavam os garotos de então...
“Vivíamos sob as ondas do rádio...”!
Nas missas à noite na Igreja Santo Afonso, havia músicas e cantos.
Recordando a igreja, vou contar uma boa: No mês de maio, num dia da semana, nessa missa da noite, havia apresentação dos “Pajens”. E um dos alunos, do Colégio Paroquial Santo Afonso, era escolhido para cantar.
E foi num dia de aula qualquer, que a freira, perguntou: “Quem tem voz boa, pra cantar na missa dos Pajens?”. De imediato me apresentei. A gurizada “sacana”, já começou a rir.  Mas eu tinha a voz boa... E a freira disse: “Então canta ai”: comecei; “Coração santo/tu reinarás/em nosso encanto/ sempre serás... Sei lá, porque cargas d´água, talvez muito afoito, minha voz, saiu fina e esganiçada. Foi uma risada só. Quis consertar, começar de novo, mas ai farra já tava grande. E a oportunidade passou. “Creio que foi nesse dia, que encerrou minha pretensa vida de cantor”. Em guarani Purajey.
Além dessas apresentações formais, havia também os cantores de rua, de bares, que cantavam... Cantavam...
Retornando ao Rádio. O Programa de Hélio Ribeiro, com suas traduções musicais, e de Barros de Alencar, girando musicas românticas e conversando com seu publico, motivavam os adolescentes fronteiriços. Por um lapso, no Livro Crônicas de um tempo... Década de 60, por onde andava você? E mais... (edição esgotada), não mencionei Barros de Alencar.  Uma pena!
Era comum. Chegarmos ao Colégio ou Ginásio e comentar, trocar ideias, sobre o que havia acontecido de interessante nesses programas.
Ao par dessa movimentação musical, foi também naqueles anos 60, que agitações culturais e mudanças de comportamento, ganham intensidade.
Dentro desse aspecto de mudança, surge nos Estados Unidos, o “Movimento Hippie”, que vai se alastrando e chega ao Brasil, principalmente nas grandes capitais.
Eram jovens de classe média americana, que buscavam contestar os valores constituídos, que seus pais, e família acreditavam. Eram contrários aos ideais da época. Talvez o estopim dessa mudança de comportamento, tenha sido a tragédia que foi, a guerra do Vietnã.
A filosofia ou busca, desse movimento, era a paz espiritual, não violência, igualdade entre os povos, ou “paraíso do prazer”.
Cabeludos, barba por fazer, aspecto debochado, muitos nem banho tomavam. Usavam óculos escuros, roupas surradas, desenhando, um novo formato no modo de vestir e agir. 
Apreciavam a utilização de “drogas”, viajavam em “trailers” e automóveis, completamente coloridos no estilo “psicodélico”.
Enfim, o mundo estava em erupção. E o mundo, mudou...!
Nessa efervescência toda, nós garotões ginasianos, do Ginásio Estadual Bela Vista, devagarzinho fomos entrando nessa onda rebelde, dos anos 60. Conseguíamos óculos escuros e com giz, desenhávamos rabiscos nas lentes e vestíamos roupas despojadas, chinelões e tentávamos imitar os “cabeludos”.
Os olhares atentos, dos nossos professores. Que a todo o momento, nos intervalos de aula, nos davam uns “pitos” e diziam; “que imitação é essa”? E nós vazávamos do raio de ação de nossos mestres, e continuávamos nossas brincadeiras.
Nessas mudanças e acontecimentos, a música sempre presente. Bossa Nova, Jovem Guarda, Beatles e...
Muitos daqueles adolescentes carregaram para sempre melodias imortais...
Foi um tempo diferente, que com o passar dos anos classificaram como: “Os Dourados anos 60”.
E foi no final da década de 1960, precisamente no ano 1969, que aqueles garotos/adolescentes, concluíram o curso ginasial, no Ginásio Estadual Bela Vista, ou no Ginásio Paroquial Santo Afonso ou ainda no equivalente ao curso ginasial em Bella Vista Norte, Paraguai.
E no mês de dezembro, a última aula. Movimentação e Preparação para formatura!
Noite de gala! Professores, autoridades, pais, parentes e amigos. Discursos, entregas de diplomas...
Finalmente o “Baile”. Nos Clubes: Grêmio Pedro Rufino, no Clube Bela-vistense, ou no Clube Náutico do Paraguai.
O Conjunto musical ensaia os primeiros acordes. Formandos preparados. Inicia o baile.
A valsa de despedida. “Tema de Lara”. E a seguir a Guarânia: “Recuerdos de Ipacaraí”, talvez a música, que podemos denominar de um “Hino Fronteiriço!”.
Naquele dezembro de 1969, nós formandos ginasianos, dançamos o belo baile. Amanhecendo o dia...  A lua sumindo, e o sol surgindo. Nos despedimos...
 
Un gran y saudoso abrazo a los viejos belavistenhos!
 
 
 
 
J. Paulo Villalba - Servidor Público UFMS 

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